Métodos para análise de tecidos dentais duros expostos a altas temperaturas é o nome de uma pesquisa que aguarda publicação na Forensic Science International, que mostra como fica a evidência dental após a exposição do dente a altas temperaturas. Estabelece também alterações relacionadas à idade dos dentes novos e envelhecidos que foram expostos ao calor direto.
Os autores do estudo, José Luis Fereira, Angela Espina de Fereira e Ana Isabel Ortega, da Área de Odontologia Forense do Instituto de Investigação da Faculdade de Odontologia da University of Zulia, na Venezuela, analisaram trinta dentes permanentes saudáveis (novos = 15 e envelhecidos = 15), dos quais 14 foram submetidos ao calor direto e 16 a aumento controlado da temperatura. O estudo do padrão colorimétrico foi feito com o auxílio do Corel Photo Paint 12.0 e do Image J. software.
Os colegas observaram que todos os dentes submetidos ao aumento gradual da temperatura apresentaram um grau dos danos estruturais mais baixo do que aqueles expostos ao calor direto. A superfície interna dos dentes novos expostos ao calor direto mostrou linhas de fratura oblíquas à linha central longa do dente; em contraste, um padrão reticular foi observado nos dentes envelhecidos. Todos os dentes expostos ao calor direto mostraram algumas áreas de coloração mate-preta, enquanto aqueles submetidos a um incremento gradual da temperatura mostraram uma cor acinzentada no esmalte e um branco-giz no cemento. Usando ambos os tratamentos térmicos nos dentes novos, a junção amelodentinária foi perdida, preservando assim a integridade de cada tecido. Nos dentes envelhecidos, a separação desta junção foi produzida devido ao enfraquecimento da dentina.
Os resultados permitiram que o estudo apresentasse como conclusão que o enquadramento de um dente nos grupos de idade estudados deve ser feito de acordo com as mudanças estruturais observadas. “Nossos resultados mostram a viabilidade do método aplicado para processar as amostras, permitindo sua preservação como evidência durante um tempo indefinido”, concluem os pesquisadores.