Pacientes diagnosticados com câncer não conseguem largar o vício nem mesmo após saber que o abuso de álcool e cigarro lhes provocou a doença. Os dados são de estudo feito pelo Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Otorrinolaringologia do Hospital A. C. Camargo. A pesquisa mostrou que 54% dos pacientes continuam consumindo álcool e 46% permanecem fumando.
O estudo contou com 350 participantes e teve liderança da psico-oncologista Ana Carolina Maia. Os pacientes fizeram avaliações periódicas a cada três meses durante o ano de 2010. Em entrevista de Ana Carolina ao jornal Estado de São Paulo, ela afirma que há uma ligação emocional entre o indivíduo e o vício. "Eles passaram boa parte da vida usando o cigarro e o álcool para enfrentarem seus problemas, portanto, é difícil largarem tudo de repente."
A pesquisa também indicou que os três primeiros meses depois do diagnóstico são os mais favoráveis ao abandono do vício. De acordo com o oncologista Rafael Kaliks, do Hospital Israelita Albert Einstein, o paciente toma o choque de saber que tem cancêr e decide mudar de hábitos, "mas quando começa o tratamento e o tempo vai passando, ele vai cedendo e voltando aos costumes antigos".