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Envelhecimento da população cria novas oportunidades de emprego em Odontologia

Publicado em 04 de Fevereiro de 2011   •   Fonte: www.bagarai.com.br

Em uma década, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou três anos, passando de 70 anos (em 1999) para 73,1 anos (em 2009). De acordo com o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a situação é mais favorável às mulheres. No mesmo período, a expectativa de vida delas avançou de 73,9 para 77 anos. Para eles, passou de 66,3 para 69,4 anos. Hoje, o Brasil contabiliza 9,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Em 2025, será o sexto país do mundo no número de idosos. O envelhecimento da população está criando novas oportunidades de trabalho em várias áreas, entre elas, a Odontologia.

De olho nesta nova realidade, a professora Denise Tibério ministrou duas palestras para técnicos em Saúde Bucal (dia 30, 12h) e cirurgiões-dentistas (dia 1o, 14h) no Congresso Internacional de Odontologia do Centenário, promovido pela APCD – Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. Denise Tibério é vice-diretora da EAP – Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD e trabalha como cirurgiã-dentista atendendo idosos a domicílio. Atualmente, conclui seu doutorado sobre “Controle da Placa Bacteriana em Idosos”, na Unifesp.

Técnicos em saúde bucal

Desde 2001, o Conselho Federal de Odontologia reconhece a Odontogeriatria como uma especialidade. Entretanto, ainda falta ao pessoal técnico receber preparo teórico e prático para atender esse tipo de paciente. Sob a supervisão de um cirurgião-dentista, um técnico em Saúde Bucal pode prestar o atendimento ao idoso de diversas maneiras: ensinar a higienização da boca, dentes e da prótese, detectar a lesão na mucosa por uma prótese mal-ajustada, retirar a saburra da língua etc.

A higienização inibe a multiplicação de microorganismos na boca que,se aspirados, podem provocar doenças respiratórias, com destaque para a pneumonia. Na terceira idade, a medida torna-se mais fundamental por causa da fragilidade do sistema imunológico.

Ao redor do mundo, os pesquisadores têm realizado trabalhos científicos para provar como a falta de higiene bucal pode afetar a saúde sistêmica. “As doenças na gengiva podem causar doenças cardíacas, renais, pulmonares e até artrite”, revela Denise Tibério.

O estudo “A Importância da Atuação Odontológica em Pacientes Internados em Unidade de Terapia Intensiva”, publicado pela Revista Brasileira de Terapia Intensiva, mostrou que a higiene bucal é deficiente em pacientes internados na UTI, propiciando a colonização de bactérias, principalmente daquelas responsáveis por doenças respiratórias.

Um estudo norte-americano, publicado no Journal of Intensive Care Medicine, relatou que a higienização bucal de pacientes internados na UTI do Barnes-Jewish Hospital, na cidade Saint Louis, nos Estados Unidos, reduziu em 46% os casos de pneumonia associados à entubação. A equipe realizou o trabalho por dois anos em 1.648 internados na UTI.

Trabalhando com idosos

No módulo sobre tratamento para a terceira idade, a professora Denise Tibério ensina às futuras Técnicas em Saúde Bucal que o idoso não deve ser tratado como criança. “Ele merece uma abordagem diferenciada”, explica. O profissional precisa falar sem máscara olhando diretamente para o idoso que, se tiver problemas de audição, pode entender o que é dito ao acompanhar o movimento dos lábios.

O técnico deve também ensinar o idoso a escovar os dentes. “No curso da APCD, essa medida resultou na redução de quase 40% da placa bacteriana dos pacientes”, afirma Denise Tibério. O controle da placa é estratégico porque hoje as pessoas estão chegando aos 60 anos com dentes, graças a ações adotadas ao longo dos anos como a fluoretação da água, o uso de cremes dentais com flúor e o surgimento de técnicas para o tratamento dental.

A professora Denise Tibério acredita que o atendimento aos idosos pode abrir várias oportunidades para Técnicos em Saúde Bucal como o trabalho em ILPs – Instituições de Longa Permanência (antigas casas de repouso), clínicas particulares e hospitais. Ele também pode acompanhar o cirurgião-dentista nos atendimentos domiciliares.