Problema social sério, o ronco atinge cerca de 30% das pessoas. Causado pela vibração dos tecidos da garganta (parede posterior da faringe, dorso da língua, palato mole e úvula) em função da turbulência do ar à medida em que as vias aéreas se estreitam, o ronco é agravado significativamente pela obesidade, respiração bucal e tabagismo.
Na grande maioria dos casos é sintoma de outros problemas, como a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Em níveis elevados, a síndrome influencia no comportamento de doenças que podem causar a morte do paciente, como a hipertensão, o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC).
As atuais alternativas para tratar o ronco são o aparelho intraoral, o CPAP (continuous positive airway pressure ou aparelho de pressão positiva), e a cirurgia, que pode ser de redução dos tecidos da garganta (remoção da úvula e parte do palato mole), realizada por otorrinolaringologista, ou para avanço uni ou bi-maxilar (ortognática), procedimento de competência do cirurgião bucomaxilofacial.
Os aparelhos de pressão positiva são indicados para os casos de apneias moderadas ou graves. Composto de um compressor de ar, um tubo e uma máscara, o CPAP injeta ar nas vias aéreas, mantendo as paredes da faringe afastadas.
Já os aparelhos orais são placas presas aos dentes que se articulam entre si, avançando a mandíbula e afastando os tecidos. De fácil adaptação, são indicados para os pacientes com quadros de ronco primário, sem apneia, e nas apneias obstrutivas leves e moderadas. Tem sido a alternativa mais conservadora de tratamento.
No entanto, um trabalho apresentado no 17º Congresso Nacional de Ortodontia, promovido pela Sociedade Paulista de Ortodontia em São Paulo, no mês de outubro, mostrou que o desempenho do CPAP e do aparelho intraoral por um paciente com apneia moderada foi o mesmo.
O painel, apresentado pela ortodontista Edna Araujo Khoury, titular da Scienza Ortodontia de Referência, de Maringá, e pelo professor Luiz Roberto Godolfim, de Florianópolis, foi o terceiro melhor trabalho da categoria Caso Clínico.
De acordo com Edna Khoury, uma polissonografia atestou a apneia moderada do paciente, que teve indicação para usar o CPAP, mas ele preferiu experimentar o aparelho pela praticidade. Depois de três meses novo exame foi realizado.
Durante o exame, no qual o paciente permaneceu metade do tempo com o CPAP e o restante com o aparelho intraoral, a ocorrência de poucos episódios de apneia foi a mesma, demonstrando desempenho semelhante das duas técnicas.
Para a ortodontista, o resultado do trabalho é bastante positivo.
"Embora seja capaz de eliminar totalmente os episódios de apneia, o CPAP é muito desconfortável. O índice de rejeição é altíssimo".