Patrocinado por

Reabilitação estética em dentes escurecidos e desvitalizados associando diferentes técnicas de clareamento dental

Escrito por Ana Regina Cervantes Dias, Katia Regina Hostilio Cervantes Dias, Raphael Monte Alto   •   Publicado em 30 de Agosto de 2010

INTRODUÇÃO

A busca por uma estética dental mais apurada faz com que o cirurgião dentista procure técnicas restauradoras cada vez mais eficientes e menos invasivas. Dentre os diversos problemas estéticos encontrados podemos destacar a alteração cromática de um ou mais dentes.

O escurecimento dental em dentes anteriores que sofreram trauma e/ou tratamento endodôntico é uma das causas mais freqüentes de escurecimento de dentes isolados. Nesses casos a recuperação estética pode-se dar por meio de clareamento e/ou restaurações diretas ou indiretas.

O clareamento dentário, em especial o clareamento interno, oferece uma oportunidade de recuperação estética de forma mais econômica e mais conservadora, se comparado com alternativas mais invasivas como as coroas totais, facetas diretas e indiretas.

Como pré-requisitos o conduto deve estar hermeticamente selado, sem lesões periapicais, com total remoção da dentina cariada e o elemento dental em questão não deve apresentar restaurações extensas.

O artigo tem por objetivo apresentar um caso clinico de clareamento de um dente não vital associando técnicas internas, externas imediatas e mediatas.



RELATO DE CASO

Paciente BB, de 28 anos de idade, apresentou-se no projeto de clareamento dental na faculdade de odontologia da UERJ insatisfeita com seu sorriso devido ao severo escurecimento coronário do elemento 21 (Figuras 1 e 2).

O elemento em questão apresentava tratamento endodôntico realizado há 2 anos (Figura 3). Após exame clínico e radiográfico, o tratamento proposto foi de clareamento interno, associado ao clareamento externo, e retenção intra radicular com pino de fibra de vidro.

A paciente foi esclarecida de que o clareamento é uma técnica não invasiva, porém limitada e sem muita previsibilidade. Depois do esclarecimento das dúvidas a paciente aceitou o tratamento proposto.

Para realização do clareamento interno procedeu-se isolamento do campo operatório, abertura da câmara pulpar, remoção da guta percha 3 mm além da altura da coroa clínica e foi realizado o selamento biológico preenchendo a câmara pulpar com pasta de hidróxido de cálcio. Após o selamento provisório da cavidade a paciente foi liberada.

Após uma semana, foi realizado isolamento do campo operatório, remoção do selamento provisório, remoção do selamento biológico e confecção de selamento mecânico através de um tampão de 2 mm com cimento de fosfato de zinco. Após a presa inicial do cimento, que ocorre em 5 minutos, foi aplicado o gel clareador a base de Peróxido de Hidrogênio a 35% (Whiteness HP Maxx/FGM) (Figuras 4) no interior da câmara pulpar e na face vestibular do elemento escurecido. (Figuras 5 e 6) Após 15 minutos o gel foi removido e trocado por mais duas vezes, totalizando 3 aplicações na mesma consulta.

Após o clareamento imediato foi realizado o clareamento mediato através da aplicação de pasta a base de perborato de sódio e peróxido de hidrogênio 20% (Whiteness Perborato/FGM) (Figura 7) dentro da câmara pulpar. O elemento foi selado provisoriamente com uma “bolinha” de algodão e resina composta.

Este esquema foi semanalmente seguido por 6 semanas.

Após este período observou-se satisfação no grau de clareamento. Foi então realizada neutralização do meio com pasta de hidróxido de cálcio.

Após 15 dias a pasta de hidróxido de cálcio foi removida da câmara pulpar, assim como o tampão de cimento de fosfato de zinco, e o conduto foi parcialmente desobstruído para ser restaurado com um pino de fibra de vidro número 1 (White Post DC/FGM), cimentado adesivamente com o cimento resinoso All Cem (FGM) (Figura 8 e 9).

O acesso foi restaurado com a resina composta Opalis (FGM), cor A2. Após uma semana a paciente retornou para acabamento e polimento da restauração, recebendo então alta provisória, devendo retornar semestralmente para acompanhamento (Figura 10 e 11).



CONSIDERAÇÕES FINAIS

A associação de técnicas para clareamento de um elemento dental, demonstrou ser uma alternativa conservadora e efetiva.

PASSO-A-PASSO


Fig. 01 - Aspecto Inicial do sorriso

Fig. 02 - Visão aproximada

Fig. 03 - Exame radiográfico evidenciando normalidade p...

Fig. 04 - Gel clareador a base de Peróxido de Hidrogêni...

Fig. 05 - Elemento sendo clareado pela face vestibular

Fig. 06 - Elemento sendo clareado pela câmara pulpar

Fig. 07 - Clareador a base de Perborato de sódio (White...

Fig. 08 - Retentor de fibra de vidro (White Post DC1, F...

Fig. 09 - Cimento resinoso corpo duplo (All Cem, FGM, B...

Fig. 10 - Aspecto final do sorriso

Fig. 11 - Visão intra oral

AUTORES(AS)

Ana Regina Cervantes Dias

- Mestre e Doutoranda em Dentística – UERJ

- Professora do Curso de Especialização em Dentística - PUC-RJ

Katia Regina Hostilio Cervantes Dias

- Mestre e Doutora em Clínica Odontológica– USP

- Professora Titular da Disciplina de Dentística - UERJ

- Professora Associada da Disciplina de Dentística - UFRJ

Raphael Monte Alto

- Doutor em Dentística – UERJ

- Professor Adjunto da Disciplina de Clínica Integrada - UFF

- Professor do curso de especialização em Implantodontia – UFF

COMENTÁRIOS

4 comentários
Ednei 31-08-2010 09:37:51
Esse caso é muito interessante, vou oferecer aos meus pacientes mais essa técnica.
Arlette Castagna de Atayde 24-09-2010 16:42:37
Gostaria de saber o porquê de colocar pino intracanal neste caso. O dente não apresentava grande destruição. Além disso, assisti um seminário sobre clareamento interno na ABO de POA - RS em julho de 2007 (não tenho certeza da data) e fiquei bastante apreensiva em relação aos casos de reabsorção dentinária externa, que foi falado que poderia acontecer até mesmo vários anos após o clareamento. Tenho sido muito cautelosa, desde então.
Vilson Lima 15-08-2011 17:37:17
só não entendi o porquê do pino...
Ana Regina Cervantes Dias 24-10-2011 11:13:16
Prezados colegas Ednei, Arlette e Vilson Agradeço o interesse pelo nosso artigo e esclareço as dúvidas que foram postadas: A opção pela instalação de um retentor intracanal se deve ao fato do dente se encontrar fragilizado pela perda das faces palatina (onde foi realizado o acesso endodôntico) e da face vestibular (que se apresentava socavada internamente). De acordo com a literatura consultada para execução deste caso clínico, o tampão cervical impede que o peróxido de hidrogênio se difunda pelos túbulos atingindo o ligamento periodontal cervical, gerando necrose e reabsorção. Não há relatos de reabsorção cervical interna associada ao clareamento não vital quando um tampão cervical é realizado adequadamente e o tempo entre o trauma e o tratamento clareador é respeitado (convém aguardar o mínimo de 5 anos entre os eventos). Indicamos o acompanhamento semestral, incluindo exame clínico e radiográfico por 7 anos. Atenciosamente, Ana Regina C. Dias