

INTRODUÇÃO
A busca por uma estética dental mais apurada faz com que o cirurgião dentista procure técnicas restauradoras cada vez mais eficientes e menos invasivas. Dentre os diversos problemas estéticos encontrados podemos destacar a alteração cromática de um ou mais dentes.
O escurecimento dental em dentes anteriores que sofreram trauma e/ou tratamento endodôntico é uma das causas mais freqüentes de escurecimento de dentes isolados. Nesses casos a recuperação estética pode-se dar por meio de clareamento e/ou restaurações diretas ou indiretas.
O clareamento dentário, em especial o clareamento interno, oferece uma oportunidade de recuperação estética de forma mais econômica e mais conservadora, se comparado com alternativas mais invasivas como as coroas totais, facetas diretas e indiretas.
Como pré-requisitos o conduto deve estar hermeticamente selado, sem lesões periapicais, com total remoção da dentina cariada e o elemento dental em questão não deve apresentar restaurações extensas.
O artigo tem por objetivo apresentar um caso clinico de clareamento de um dente não vital associando técnicas internas, externas imediatas e mediatas.
RELATO DE CASO
Paciente BB, de 28 anos de idade, apresentou-se no projeto de clareamento dental na faculdade de odontologia da UERJ insatisfeita com seu sorriso devido ao severo escurecimento coronário do elemento 21 (Figuras 1 e 2).
O elemento em questão apresentava tratamento endodôntico realizado há 2 anos (Figura 3). Após exame clínico e radiográfico, o tratamento proposto foi de clareamento interno, associado ao clareamento externo, e retenção intra radicular com pino de fibra de vidro.
A paciente foi esclarecida de que o clareamento é uma técnica não invasiva, porém limitada e sem muita previsibilidade. Depois do esclarecimento das dúvidas a paciente aceitou o tratamento proposto.
Para realização do clareamento interno procedeu-se isolamento do campo operatório, abertura da câmara pulpar, remoção da guta percha 3 mm além da altura da coroa clínica e foi realizado o selamento biológico preenchendo a câmara pulpar com pasta de hidróxido de cálcio. Após o selamento provisório da cavidade a paciente foi liberada.
Após uma semana, foi realizado isolamento do campo operatório, remoção do selamento provisório, remoção do selamento biológico e confecção de selamento mecânico através de um tampão de 2 mm com cimento de fosfato de zinco. Após a presa inicial do cimento, que ocorre em 5 minutos, foi aplicado o gel clareador a base de Peróxido de Hidrogênio a 35% (Whiteness HP Maxx/FGM) (Figuras 4) no interior da câmara pulpar e na face vestibular do elemento escurecido. (Figuras 5 e 6) Após 15 minutos o gel foi removido e trocado por mais duas vezes, totalizando 3 aplicações na mesma consulta.
Após o clareamento imediato foi realizado o clareamento mediato através da aplicação de pasta a base de perborato de sódio e peróxido de hidrogênio 20% (Whiteness Perborato/FGM) (Figura 7) dentro da câmara pulpar. O elemento foi selado provisoriamente com uma “bolinha” de algodão e resina composta.
Este esquema foi semanalmente seguido por 6 semanas.
Após este período observou-se satisfação no grau de clareamento. Foi então realizada neutralização do meio com pasta de hidróxido de cálcio.
Após 15 dias a pasta de hidróxido de cálcio foi removida da câmara pulpar, assim como o tampão de cimento de fosfato de zinco, e o conduto foi parcialmente desobstruído para ser restaurado com um pino de fibra de vidro número 1 (White Post DC/FGM), cimentado adesivamente com o cimento resinoso All Cem (FGM) (Figura 8 e 9).
O acesso foi restaurado com a resina composta Opalis (FGM), cor A2. Após uma semana a paciente retornou para acabamento e polimento da restauração, recebendo então alta provisória, devendo retornar semestralmente para acompanhamento (Figura 10 e 11).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A associação de técnicas para clareamento de um elemento dental, demonstrou ser uma alternativa conservadora e efetiva.











AUTORES(AS)
Ana Regina Cervantes Dias
- Mestre e Doutoranda em Dentística – UERJ
- Professora do Curso de Especialização em Dentística - PUC-RJ
Katia Regina Hostilio Cervantes Dias
- Mestre e Doutora em Clínica Odontológica– USP
- Professora Titular da Disciplina de Dentística - UERJ
- Professora Associada da Disciplina de Dentística - UFRJ
Raphael Monte Alto
- Doutor em Dentística – UERJ
- Professor Adjunto da Disciplina de Clínica Integrada - UFF
- Professor do curso de especialização em Implantodontia – UFF