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Efícacia e longevidade do clareamento dental

Escrito por Bruno Lippmann, Constanza Odebrecht, Letícia Ferri   •   Publicado em 30 de Janeiro de 2010

A cor dos dentes é o resultado de uma combinação da cor intrínseca com a presença de machas extrínsecas provenientes do fumo, dieta, enxaguatórios como a clorhexidina, sais metálicos como o ferro, etc. (Watts & Addy 2001). Esta cor pode ser modificada por meio de diversos procedimentos como: raspagem e polimento dental para remover manchas e cálculo, clareamento que pode ser realizado com a técnica caseira, de consultório ou interno nos dentes não vitais, microabrasão e confecção de restaurações.

Atualmente um dos procedimentos mais requeridos pelos pacientes é o clareamento dental, o qual constitui um procedimento seguro, conservador e com excelentes resultados. O mecanismo pelo qual os dentes são clareados, é a difusão do peróxido de hidrogênio a través do esmalte, alcançando a junção esmalte-dentina e a dentina. Neste processo de difusão, o peróxido reage com a matéria orgânica corada, provocando o clareamento. (Sulieman 2005)

Estudos de acompanhamento após clareamento dental por períodos que variaram de 8 a 16 anos, tem demonstrado uma taxa de sucesso de 45-93%. Ainda deve ser ressaltado que a avaliação do resultado do clareamento é subjetiva e que a opinião do paciente pode diferir daquela do profissional, a qual é geralmente mais positiva que a do dentista (Glockner1999; Anitua 1992). No entanto sabemos que todos os dentes não clareiam com a mesma intensidade, assim em alguns pacientes podem ser necessários poucos dias ou uma consulta, enquanto outros requerem um tempo maior. Além disso, cada dente alcança um máximo de clareamento (ponto de saturação) além do qual não irá clarear independente da técnica ou do material (Gottardi 2006, Matis 2003, Browning 2007) de maneira que um bom resultado do clareamento pode ser obtido com diferentes concentrações de gel clareador, sendo necessários ajustes no tempo de tratamento, já que muitas vezes o resultado é determinado pela estrutura dental. Podemos então dizer que a maioria dos dentes respondem ao tratamento se este é realizado por tempo suficiente.

O tipo de manchamento intrínseco e a cor inicial dos dentes podem jogar um papel significante no resultado final do clareamento. As manchas de tetraciclina leves a moderadas respondem melhor a tratamentos mais longos, de 2 a 6 meses Já os manchamentos severos por tetraciclina são mais difíceis de remover, principalmente se estas manchas estão na região cervical ou na coloração cinza escura (Haywood, 2000, 2008).

Outros estudos, com resultados clínicos com mais de 600 clareamentos, mostraram que quanto mais amarelos sejam os dentes no início do tratamento melhor serão os resultados. Esta análise mostrou uma relação significante entre a idade, a cor inicial e a magnitude da resposta ao clareamento, com melhores resultados com os indivíduos mais jovens. Os pacientes mais velhos, com dentes menos amarelados no início apresentavam menor mudança de cor pós clareamento. (Gerlach 2001)

É importante ressaltar que quando os dentes atingem o ponto de saturação, estes podem apresentar alguma regressão da cor, devido à dissipação do oxigênio residual presente na estrutura dental. Após esta estabilização a cor do dente geralmente permanece estável por anos. Na técnica de consultório esta regressão pode ser explicada pela desidratação provocada pelo isolamento, que provoca uma alteração de cor, assim a avaliação da cor deveria ser realizada 3 dias após o clareamento.Os pacientes deveriam ser informados de que 9 em 10 pessoas submetidas a clareamento, apresentam a cor de seus dentes satisfatória por um período de até 3 anos. (Haywood 2000, 2003, 2008)

Para os dentes não vitais, existem relatos na literatura de necessidade de retratamento em 10%dos casos após 1 a 2 anos, de 20 a 25% num período de 3 a 5 anos e de 40% após 8 anos. (Friedman et al., 1988). Sendo que nestes casos os dentes com múltiplas restaurações não são os candidatos ideais para este tipo de tratamento (Howell, 1980; Glockner et al., 1999).

Existe a falta de informação na literatura, acerca da associação do consumo de bebidas e alimentos corados, com a longevidade do clareamento. Os dados do estudo de Meirelles mostraram que embora o consumo de alimentos e bebidas coradas fosse alto, esta parecia não ter influenciado o efeito do clareamento. Resultados semelhantes foram encontrados por Dahl 2003 e Gerclach 2001. São necessários estudos clínicos a longo prazo para esclarecer os fatores relacionados com a regressão de cor.

A seguir apresentaremos alguns casos clínicos de clareamento dental em acompanhamento realizados com diferentes técnicas:

Caso 1:
Técnica associada: Clareamento dental com Whiteness HP Maxx e White Class 6%- Acompanhamento de 2 anos.

Clareamento com peróxido de hidrogênio a 35% em uma paciente jovem com queixa principal de alteração cromática do elemento 21. Após o exame clínico e radiográfico foi constatado calcificação distrófica. Inicialmente foi realizado clareamento dental de pré- molar a pré- molar. Foram realizadas mais 2 sessões de clareamento em consultório somente no dente 21.

Caso 2:
Clareamento dental com White Class 6% ( Peróxido de Hidrogênio a 6% para uso caseiro) e técnica de microabrasão com Whiteness RM. Acompanhamento de 1 ano e meio.

Paciente do gênero feminino, 20 anos de idade que após três anos de aparelho ortodôntico resolveu clarear os dentes e tentar solucionar manchas hipoplásicas generalizadas.

PASSO-A-PASSO


Fig. 01 - Antes do clareamento

Fig. 02 - Após o clareamento dental

Fig. 03 - Após um anos estética era satisfatória. A pac...

Fig. 04 - Acompanhamento de 2 anos com resultado bastan...

Fig. 01 - Sorriso inicial

Fig. 2 - Aspecto inicial dos dentes antes do clareament...

Fig. 3 - Aspecto clínico observado após o clareamento d...

Fig. 4 - Após a técnica de microabrasão com Whiteness R...

Fig. 5 - Logo após o término do tratamento de clareamen...

AUTORES(AS)

Bruno Lippmann

Graduado em Odontologia pela Universidade Univille - Joinville - SC.

Constanza Odebrecht

Doutora em Periodontia pela Universidade de Sevilla (Espanha)

Letícia Ferri

Especialista em Dentística pela Escola de Aperfeiçoamento Profissional - Florianópolis - SC.

REFERÊNCIAS

1. Anitua E, Zabalegui B, Gil J, Gascon F. Internal bleaching of severe tetracycline discolorations: four-year clinical evaluation. Quintessence Int. 1990; 21: 783-788.

2. Browning WD, Swift EJ. Critical appraisal. Comparison of the effectiveness and safety of carbamide peroxide whitening agents at different concentrations. J Esthet Restor Dent. 2007; 19(5):289-296.

3. Dahl JE & Pallesen V. Tooth bleaching. A critical review of the biological aspects. Crit Rev Oral Biol Méd. 2003; 14(4):292-304.

4. Friedman S, Rotstein I, Libfelt H, Stabholz A, Heling I. Incidence of external root resorption and esthetic results in 58 bleached pulpless teeth. Endod Dent Traumatol. 1988; 4:23-26.

5. Gerlach RW, Zhou X. Vital bleaching with whitening strips: summary of clinical research on effectiveness and tolerability. The Journal of Contemporary Dental Practicem.2001; 2:1–15.

6. Glockner K, Hulla H, Ebeleseder K, Städtler PS. Five-year follow-up of internal bleaching. Braz Dent J. 1999; 10:105-110.

7. Gottardi MS, Brackett MG, Haywood VB. Number of in-office light-activated bleaching treatments needed to achieve patient satisfaction. Quintessence Int. 2006; 37(2): 115-120.

8. Haywood VB The bottom line on bleaching 2008. Inside dentistry 2008, feb 2-5

9. Haywood VB Frequently asked questions about bleaching. Compendium 2003 24(4):324-337

10. Haywood VB. A comparison of at-home and in-office bleaching. Dentistry Today 2000; 19:44–53.

11. Haywood VB. Current status of nightguard vital bleaching. Compendium of Continuing Education in Dentistry 2000; 21(Suppl. 28):S10–7.

12. Howell RA. Bleaching discoloured root-filled teeth. Br Dent J. 1980; 148:159-162.

13. Kugel G, Aboushala A, Zhou X, Gerlach RW. Daily use of whitening strips on tetracycline-stained teeth: comparative results after 2 months. Compendium of Continuing Education in Dentistry 2002; 23(Suppl. 1A):29–34.

14. Matis BA. Tray whitening: what the evidence shows. Compend Contin Educ Dent. 2003; 24(4A):354-362

15. Sulieman M, Addy M, Macdonald E, Rees JS. The bleaching depth of a 35% hydrogen peroxide based in-office product: a study in vitro. Journal of Dentistry 2005; 33:33–40.

16. Watts A, Addy M. Tooth discolouration and staining: a reviewof the literature. British Dental Journal. 2001; 190:309–16.

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