INTRODUÇÃO:
Os cimentos de ionômero de vidro estão sendo cada vez mais utilizados na prática clínica, pelas suas características principais, tais como a biocompatibilidade, adesão química ao esmalte e dentina, baixa solubilidade, adesão em superfícies úmidas, coeficiente de expansão térmico linear muito próximo ao do dente e, destacadamente liberação contínua de flúor e remineralização da estrutura dental.
Os cimentos de ionômeros de vidro, apesar de suas propriedades desejáveis, são materiais críticos no que diz respeito à sua manipulação. O proporcionamento correto do pó e do líquido, segundo as instruções do fabricante, é fundamental para a obtenção das melhores propriedades do material. Alterações nessa proporção podem resultar em maior solubilidade, resistência diminuída e menor adesividade. Sabe-se que um dos pontos mais críticos para uma efetiva reação de presa é o proporcionamento/manipulação do pó e do líquido do cimento.
A dificuldade de se obter um correto proporcionamento do pó e líquido, e posteriormente realizar uma manipulação manual adequada, tem levado a uma tendência de comercialização do cimento de ionômero de vidro em cápsulas pré-fabricadas, as quais, após o rompimento da membrana que separa o pó do líquido, devem ser manipuladas mecanicamente em um misturador e levadas á cavidade com um aplicador.
Os cimentos disponíveis em frascos e manipulados manualmente podem levar á possibilidade de uma proporção diminuída de forma exagerada, a ponto de comprometer as propriedades físicas do material e, conseqüentemente, seu desempenho clínico. É possível que, para os materiais em frascos, o operador produza uma proporção pó/líquido de forma errada e inconsciente, devido a diferenças na densidade do pó durante o preenchimento da colher de medida e no volume de líquido dependendo da maneira pela qual o frasco é segurado e a gota é dispensada. Por sua vez, os cimentos de ionômero de vidro encapsulados têm a vantagem de manter constante a proporção pó/líquido recomendada pelo fabricante para otimizar as propriedades do material. As alterações dimensionais durante a presa dos cimentos de ionômero de vidro encapsulados são menores que as alterações dos cimentos fornecidos em frascos.
A disponibilização do cimento de ionômero de vidro em cápsulas permite que a manipulação seja realizada de uma maneira reprodutível, que é normalmente mais rápida e limpa do que a manipulação manual Muitas vezes, a própria cápsula de acordo como ela se apresenta,transforma-se em ponta para inserção do material na cavidade, sendo, portanto outra grande vantagem e benefício.
De uma maneira em geral, tem-se atribuído uma melhora nas propriedades dos cimentos de ionômero de vidro encapsulados quando comparados aos cimentos disponíveis em frascos, com relação à liberação de fluoretos, tempo de presa, microinfiltração, presença de porosidades, resistência compressiva e resistência à tração.
O objetivo desse trabalho é estabelecer um protocolo de uso dos cimentos de ionômeros de vidro encapsulados por meio de um relato de caso clínico.
RELATO DO CASO:Paciente C.J., 34 anos, do gênero feminino, com lesão de cárie secundária e fratura de restauração de resina composta na face oclusal do dente 37, optou-se restaurar o elemento com cimento de ionômero de vidro encapsulado modificado por resina (RIVA LIGHT CURE-SDI).
PROTOCOLO DE USO (PASSO A PASSO):A seqüência técnica de utilização do cimento de ionômero de vidro encapsulado modificado por resina (RIVA LIGHT CURE-SDI) está apresentada a seguir nas figuras 01 a 22.
1 - Remoção da restauração de resina composta fraturada e da lesão de cárie secundária respeitando os princípios de mínima intervenção. (Optou-se por não fazer isolamento absoluto pelo fato da paciente usar aparelho ortodôntico). (Figuras 06,07)
2 - Aplicação do condicionador de dentina (RIVA CONDITIONER-SDI) por 10 segundos para melhorar energia de superfície da cavidade e permitir melhor escoamento do ionômero de vidro na cavidade. (Figura 08)
3 - Lavagem da cavidade para remoção do RIVA CONDITIONER. (Figura 09)
4 - Remoção do excesso de água com bolinhas de algodão tendo o cuidado de manter a cavidade úmida evitando-se assim desidratação da mesma e causar sensibilidade pós-operatória. (Figura 10)
5 - Ativação da cápsula de ionômero de vidro (RIVA LIGTH CURE-SDI) manualmente, pressionando o êmbolo na parte posterior da cápsula. (Figura 11)
6 - A cápsula ativada foi colocada no amalgamador de cápsulas (ULTRAMAT-SDI) para ser feita a manipulação mecânica do ionômero pó 10 segundos. (Figura 12)
7 - A cápsula do ionômero foi encaixada no aplicador próprio do material em uso para que possa ser inserido o ionômero na cavidade. (Figura 13)
8 - Aplicação do RIVA LIGTH CURE em incrementos de no máximo 2,0 mm de espessura e fotopolimerização (RADDI CAL-SDI) de cada camada por 20 segundos. (Figuras 14, 15, 16, 17, 18,19)
9 - Aplicação do selante de superfície (RIVA COAT-SDI) com microaplicador para proteção do ionômero de vidro e fotopolimerização do mesmo por 20 segundos. (Figuras 20, 21)
10 - Acabamento e ajuste oclusal sob refrigeração e aplicação novamente do selante de superfície (RIVA COAT-SDI).

FIG. 01a - Apresentação comercial do RIVA LIGHT CURE

FIG. 01b – Cápsula do RIVA LIGHT CURE

FIG. 02 – Condicionador de dentina (RIVA CONDITIONER)

FIG. 03 – Selante de superfície (RIVA COAT)

FIG. 04a – Amalgamador de cápsula (ULTRAMAT-SDI)

FIG. 04b – Fotopolimerizador a LED (RADII CAL-SDI)

FIG. 05 – Aplicador de cápsula (SDI)

FIG. 06 – Dente 37 com restauração de resina composta c...

FIG. 07 – Remoção da restauração e lesão de cárie secun...

FIG. 08 – Aplicação do RIVA CONDITIONER na cavidade

FIG. 09 – Lavagem da cavidade para remoção do condicion...

FIG. 10 – Secagem da cavidade com bolinha de algodão

FIG. 11 – Ativação da cápsula de ionômero de vidro

FIG. 12 – Manipulação mecânica no ULTRAMAT

FIG. 13 – Cápsula colocada no aplicador para inserir ma...

FIG. 14 – Inserção do ionômero de vidro na cavidade

FIG. 15 – Ionômero de vidro sendo inserido em camadas

FIG. 16 – Fotopolimerização do ionômero modificado por ...

FIG. 17 – Preenchimento final da cavidade

FIG. 18 – Término da inserção do ionômero na cavidade

FIG. 19 – Fotopolimerização do material na fase final

FIG. 20 – Aplicação do selante de superfície

FIG. 21 – Fotopolimerização do selante de superfície

FIG. 22 – Aspecto final da restauração de ionômero de v...
REFERÊNCIAS
1 - NAVARRO, M.F., PASCOTTO, R.C. Cimentos de ionômero de vidro: aplicações clínicas em odontologia. 1. ed. São Paulo: Artes Médicas, 1998.
2 - IMPARATO, J.C.P. et al. ART: Tratamento restaurador atraumático. 1. ed. São Paulo: Editora Maio, 2005.
3 - Baratieri, L.N. et al. Restaurações com cimentos de ionômeros de vidro. In: ___.
Dentística: procedimentos preventivos e restauradores. 2 ed. Rio de Janeiro: Santos,1992. Cap. 6, p.167-99.
4 - BASS,E.V., WING, G. The mixing of encapsulated glass ionomer cement restorative materials.
Aust Dent. J., v. 33, n. 3, p. 243, 1988
5 - COOLEY, R.L.,TRAIN, T.E. Comparison of manually and mechanically mixed glass ionomers.
J Prosthet Dent, v.66, n. 6, p. 773-6, 1991.